sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mauritânia (Nuakchott)

Mauritânia (Nuakchott)


A Mauritânia (terra dos mouros, em latim) é povoada desde a Antiguidade. Nos primeiros séculos da Era Cristã, berberes nômades do Marrocos migram para o sul e se impõem aos pastores negros. A partir do século VII, a região oriental da Mauritânia é incorporada ao Império Gana. Os berberes são reduzidos a vassalos e convertidos ao islamismo. No século XI, os berberes ligados à dinastia muçulmana dos almorávidas, com centro no Marrocos, destroem o Império Gana e difundem o islamismo na África ocidental. Tribos árabes derrotam os almorávidas no século XVII, introduzindo um sistema de castas cujos traços ainda estão presentes na estrutura social do país. A casta dos hassanes (guerreiros) impõe aos berberes o exercício de atividades pacíficas (comércio e ensino). Abaixo deles ficam os haratans (pastores negros ou mestiços) e os párias (ferreiros e músicos).


Mauritânia (Nuakchott)


Domínio francês - A crescente dependência dos emires hassanes em relação aos comerciantes europeus, a quem vendem goma arábica, leva à desagregação de seu poder. A França conquista a região em meados do século XIX, e, em 1903, a Mauritânia passa a ser protetorado francês. O país obtém a independência em 1960. Moktar Ould Dadah elege-se presidente e conquista sucessivos mandatos - em regime de partido único - até 1978, quando é deposto por um golpe militar.
Em 1976, a Mauritânia anexa a parte sul do Saara Ocidental - a porção norte fica sob domínio do Marrocos. O movimento nacionalista, liderado pela Frente Polisário, ganha força entre os saarauís e passa a combater a ocupação. Os gastos da Mauritânia para manter o controle da área agravam a situação econômica. Em 1979, a nação assina acordo de paz com a Frente Polisário e se retira da região. O Marrocos aproveita o recuo e anexa todo o Saara Ocidental.

Mauritânia (Nuakchott)

Eleições contestadas - Golpes militares marcam a cena política mauritana até 1984, quando Maawya Ould Sid'Ahmed Taya toma o poder. O novo presidente reprime grupos negros que reivindicam o fim da supremacia árabe no país. Em 1991, após o crescimento dos protestos contra violações dos direitos humanos, um plebiscito aprova nova Constituição, que estabelece o pluripartidarismo. Taya, candidato pelo Partido Republicano Democrático e Social (PRDS), elege-se presidente em 1992, em pleito que a oposição denuncia como fraudulento. As eleições legislativas, boicotadas pela oposição, são vencidas pelo PRDS. A política econômica imposta à Mauritânia pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) - que inclui cortes nos gastos públicos e a privatização de estatais - agrava a situação social e causa manifestações de protesto. As eleições de 1996, também denunciadas como fraudulentas pela oposição, reasseguram a maioria do governo no Parlamento. Taya é reeleito presidente em 1997. A Mauritânia estabelece relações diplomáticas com Israel em 1999.

Mauritânia (Nuakchott)


Conflitos de fronteiras - Em 1989, uma onda de conflitos envolvendo moradores dos vilarejos de fronteira entre Mauritânia e Senegal provoca centenas de mortes. Mauritanos residentes no Senegal são atacados, assim como senegaleses que moram na Mauritânia. Operações de repatriação em ambos os países começam, e o governo da Mauritânia é acusado de instigar também a expulsão de negros mauritanos para fora do país. Em abril de 2001, o grupo oposicionista Forças de Libertação Africanas da Mauritânia (Flam), no exílio, apela à comunidade internacional para que pressione o governo a resolver o problema dos estimados 70 mil negros mauritanos deportados para o Senegal e o Mali.
FATOS RECENTES - Em outubro de 2000, o governo dissolve o partido oposicionista União de Forças Democráticas - Era Nova (UFD-EN), acusado de incitação à violência. Em abril de 2001, o líder do partido Frente Popular (FP), Mohamed Lemine Ch-Bih Ould Cheikh Malainine, é preso juntamente com dois correligionários sob acusação de preparar atos de sabotagem e terrorismo. Os três são condenados, em junho, a cinco anos de prisão.

Mauritânia (Nuakchott)




DADOS GERAIS

NOME OFICIAL - República Islâmica da Mauritânia (Al-Jumhuriya al-Islamiya al-Muritaniya).
CAPITAL - Nuakchott
LOCALIZAÇÃO - noroeste da África
GEOGRAFIA - Área: 1.030.700 km². Hora local: +3h. Clima: árido tropical (N) e tropical de altitude (S). Cidades: Nuakchott (608.228), Nouadhibou (88.313), Kaédi (40.633) (1996); Kiffa (29.300), Rosso (27.800) (1988).

POPULAÇÃO - 2,7 milhões (2001); nacionalidade: mauritana; composição: árabes berberes 75%, sapinques, pulares, tuculeres, peules e ulofes 25% (1996). Idioma: árabe (oficial), francês, línguas regionais (principais: poular, ulof, soninquê). Religião: islamismo 99,1%, outras 0,8%, sem religião 0,1% (2000). Densidade: 2,62 hab./km² (2001). Pop. urb.: 58% (2000). Cresc. dem.: 2,96% ao ano; fecundidade: 6 filhos por mulher; exp. de vida M/F: 50,9/54,1 anos; mort. infantil: 96,7- (2000-2005). Analfabetismo: 60,1% (2000).

ECONOMIA - Moeda: ouguiya; cotação para US$ 1: 254,04 (jul./2001). PIB: US$ 958 milhões (1999). PIB agropec.: 25%. PIB ind.: 29%. PIB serv.: 46% (1999). Cresc. PIB: 4,1% ao ano (1990-1999). Renda per capita: US$ 390 (1999). Força de trabalho: 1 milhão (1999). Export.: US$ 455 milhões (1999). Import.: US$ 330 milhões (1999). Parceiros comerciais: França, Espanha, Alemanha, Japão, Itália.

DEFESA - Exército: 15 mil; Marinha: 500; Aeronáutica: 200 (2000). Gastos: US$ 24 milhões (1999).
RELAÇÕES EXTERIORES - Organizações: Banco Mundial, FMI, OMC, ONU, OUA. Embaixada: 2129, Leroy Place NW, Washington D.C. 20008, EUA.

GOVERNO - República com forma mista de governo (ditadura militar desde 1984). Div. administrativa: 12 províncias e a capital (Nuakchott), subdivididas em distritos. Presidente: coronel Maawya Ould Sid'Ahmed Taya (PRDS) (desde 1984, eleito em 1992 e reeleito em 1997). Primeiro-ministro: El Avia Ould Mohamed Khouna (PRDS) (desde 1998). Partidos: Democrático e Social Republicano (PRDS), Ação pela Mudança, União de Forças Democráticas - Era Nova (UFD-EN), Frente Popular (FP). Legislativo: bicameral - Senado, com 56 membros; Assembléia Nacional, com 79 membros. Constituição: 1991.



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